Por que este site existe (e a aventura de criá-lo com IAs)

Por que este site existe (e a aventura de criá-lo com IAs)

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Sempre senti que tinha muita coisa pra escrever, mas nunca um lugar certo pra colocar isso.

Entrei no mundo da tecnologia ainda criança, mexendo com dBase, HTML, PHP…
A paixão sempre foi a mesma. Mesmo depois de passar por gestão, abrir empresa (R3C), virar CTO da Memed e começar a falar de liderança, saúde digital e IA.

A gente escreve no LinkedIn, publica em revistas, faz talks no YouTube…
Mas tudo isso é terreno alugado.

O algoritmo decide quem vê.
A plataforma decide o formato.
E, no fim, o conteúdo não é realmente seu.

Então decidi construir esse site.

Não pra ser o próximo grande blog do mundo, mas pra ter um espaço meu.
Onde eu escrevo o que quiser, do jeito que quiser. Sem algoritmo. Sem filtro.

A aventura com IAs

Pra começar do jeito certo (e testar até onde dá pra ir hoje), decidi construir tudo usando agentes de IA.

Não no modelo “tradicional” de abrir um chat e pedir código, mas com agentes que têm contexto, memória e iniciativa.

O processo virou uma sequência de experimentos.

O começo com OpenClaw + Claude

Quando vi o lançamento do OpenClaw, minha reação inicial foi ceticismo.
A ideia era boa, mas eu quis esperar um pouco, principalmente pelas questões de segurança.

Algumas semanas depois, peguei um servidor parado aqui em casa, instalei Proxmox + Ubuntu e comecei a brincar com o OpenClaw.

E aqui vai uma dica:
não trate como um ChatGPT.

Ele não é um chat.
É um sistema.

Passei um tempo só configurando, testando, entendendo como ele funciona. E aí veio a parte interessante:

Eu comecei a “ensinar” quem eu sou.

Nome completo, histórico… Depois mandei artigos, palestras, vídeos. Ele buscou mais coisas sozinho via Perplexity, resumiu tudo e guardou.

Com uns 5 materiais, ele já “falava” sobre mim com bastante profundidade.

Para o código, comecei usando o Opus 4.6, e vou ser direto: é absurdo.

A capacidade de entender contexto e nuance é muito acima da média, mas o custo (em dinheiro e latência) também é.

Testei outras opções - GPT Codex, MiniMax, GLM - mas nenhuma chegou perto pra texto mais complexo.

Hoje, falo com o agente via Telegram. Crio grupos por contexto.

No grupo do site, mandei algo simples:


Jarvis, quero criar um site pessoal com:

* Quem sou
* Projetos
* Mídia
* Blog

E ele respondeu estruturando tudo melhor do que eu mesmo teria feito.

Aqui acontece uma mudança importante de mentalidade:

Você para de dividir tarefas com a IA…
e começa a delegar.

Exemplo prático:


Use essa playlist do YouTube para montar a seção de vídeos:
https://youtube.com/playlist...

Ele resolveu tudo sozinho, scraping, ordenação, estruturação.

Resultado: 25 vídeos organizados, com links, ordem cronológica e contexto.

Zero trabalho manual.

Qwen 3.6 e a virada local

Tudo estava fluindo bem… até a Anthropic mudar o jogo.

O Claude Code deixou de ser viável financeiramente dentro do OpenClaw. Mesmo com uso leve, o custo foi pra algo perto de $5/dia.

Foi aí que decidi ir pro mundo local.

Peguei uma GTX 1660 (que estava parada aqui) + RTX 3060 (que comprei só para brincar com IA), joguei no servidor e comecei a testar modelos locais.

Resultado inicial: frustração.

Problemas com tool calling, contexto grande, incompatibilidades… Nada realmente estável.

Até que encontrei o Hermes. E junto com ele, o lançamento do qwen3.6-35b-a3b.

Esse modelo foi a virada de chave.

Mesmo rodando quantizado (Q3) para caber na minha VRAM, a qualidade já é suficiente pra agentes funcionarem de verdade.

Hoje rodo com llama.cpp (em vez de Ollama, pra ter mais controle e performance), ainda lidando com algumas limitações, principalmente em compressão de contexto e handling de “thinking”, mas foi o suficiente.

E agora, posso afirmar, esse site só existe porque esse setup funcionou ;-)

O que esperar daqui?

Esse site vai ser um registro desse processo.

Vou escrever sobre:

  • Liderança técnica (acertos, erros, decisões difíceis)
  • Saúde digital (o que está mudando com IA)
  • Tecnologia (mão na massa mesmo)

Mas principalmente sobre como eu penso e construo coisas.

Esse primeiro post foi o mais difícil.
O segundo já sai mais fácil.

Nos vemos em breve.
Couto.